Panorama da impressão é debatido em evento pré-drupa

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Panorama da impressão é debatido em evento pré-drupa

Quais são as tendências que vão pautar a indústria de impressão nos próximos anos? Quais são as temáticas que os empresários precisam ficar atentos, pois em breve farão parte de suas rotinas? Como estar preparado para lidar com o avanço da sociedade - e suas necessidades e demandas? Muito disso foi discutido no evento pré-drupa, promovido no dia 25 de setembro, na cidade de São Paulo, no auditório do Senai Theobaldo de Nigris. O evento foi uma parceria entre ABTG (Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica) e drupa.

A abertura do evento foi feita por Carlos Suriani, presidente da ABTG, que ressaltou as iniciativas que a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica está preparando para os empresários que forem à drupa 2020, que acontece de 16 a 26 de junho na cidade de Düsseldorf, na Alemanha. Malu Savieri, representante da Messe Düsseldorf no Brasil, também deu mais detalhes sobre a feira.

Em seguida, tiveram início as palestras. A primeira foi com Hamilton Terni Costa, consultor da indústria gráfica, que falou sobre pontos relevantes do mercado atual. Destacou que muito foi visto nos últimos tempos sobre automação e troca de dados dentro da cadeia de impressão, e isso significa que a Indústria 4.0 começa a se formar no mercado.

Hamilton relatou que as máquinas mais tecnológicas da atualidade - assim como os próximos lançamentos - são equipamentos focados em produção contínua e que possuem a capacidade de se “auto-ajustar”, com tudo pré-definido e controlado, e ainda com sistemas que unem gráfica e cliente.

Na arena da sustentabilidade, estão as questões ligadas ao consumo consciente e o papel da impressão no processo. Para o especialista, é preciso focar não no uso da embalagem, e sim em seu desperdício. A indústria vem aumentando a reciclagem, usando fibras mais verdes e participando da economia circular.

Outro ponto de atenção: os novos modos de consumo, entrando o “It’s all about me”, ou seja, como ter mensagens totalmente dirigidas com uso de dados variáveis e inteligência de dados. Os QR Cores e aplicativos de realidade aumentada trazem a interação do papel com o mundo digital.

Em flexografia, Hamilton citou a maior automação para reduzir o tempo de acerto, os conceitos de produção mais digitais, como enfrentar os desafios das tiragens com menores lotes e a evolução dos sistemas híbridos. No digital, lembrou que as últimas drupas tiveram grande foco em inkjet, apesar do toner também ter seu espaço.

Hamilton Costa aproveitou para citar a marca Landa, que há anos promete grandes novidades e agora avançou, com sete equipamentos instalados e mais seis em preparação, inclusive com uma instalação no México, ou seja, entrando na América Latina e com produção de 6,5 mil folhas / hora.

Ainda em embalagens, foi mostrado o crescimento das aplicações anti-falsificação, com uso de hologramas e RFID, assim como nas embalagens inteligentes - e mais sustentáveis. Mesmo com o avanço do digital, a tecnologia analógica segue dominante na indústria - o que abre uma janela de oportunidades.

Por fim, a impressão funcional e industrial, com a “impressão das coisas”, que pode imprimir tudo - estamparia, cerâmica, 3D e muito mais. Hamilton trouxe a frase: tudo é printing, é a nova indústria de impressão, pois a base das novas aplicações é sempre a impressão.

Status da drupa

Sabine Geldermann, diretora da drupa, passou todo o panorama para a drupa 2020, de 16 a 26 de junho em Düsseldorf, Alemanha. O pré-drupa, inclusive, é parte de uma turnê mundial que a equipe da drupa está promovendo para informar a indústria global de impressão sobre o que será visto na feira.

Sabine relatou que, entre os tópicos esperados, estão equipamentos voltados para imprimir em praticamente qualquer material, a força do inkjet, o avanço do têxtil, a pós-impressão, as tendências de sustentabilidade com economia circular para atender às demandas dos donos de marca e muito mais.

A drupa está ao lado da VDMA (Associação Alemã de Fabricação de Máquinas e Instalações Industriais) para saber o que a indústria pensa em tendências e se seus conceitos estão dentro dos requerimentos da indústria. Sabina ainda relatou as cinco áreas de features dedicadas à inovação:

- drupa cube: totalmente reformulado, terá foco na implementação da inovação nas empresas, focado realmente nas aplicações diferenciadas. O objetivo é promover um quadro realista do futuro.

- dna (drupa next age): como as inovações vêm à vida, as novas empresas, as startups que buscam mudar a indústria de impressão, as novas formas de interação e mais.

- touchpoint packaging: conceito visionário oferecido por um comitê de fornecedores e donos de marca, com conteúdo inspirador de tendências globais e como temos que responder às demandas. Serão mostrados projetos únicos e exclusivos em trabalhos conjuntos pelo comitê.

- 3D fab + print: mais de 80 sessões gratuitas - assim como todos os features - com fornecedores trazendo a evolução da impressão para esse segmento.

- touchpoint textile: estreia da drupa 2020, aborda o mercado fascinante e em pleno crescimento no mundo todo, a estamparia digital. Vai mostrar como a indústria fashion está integrada à Indústria 4.0, com tours guiados.

Sabine relatou as mudanças estruturais promovidas nas instalações do Messe Düsseldorf, onde a drupa ocorre, como novos Halls, mais facilidade de chegar, além da cidade em si, que durante a drupa vira a “drupacity”, com parcerias com a rede hoteleira e toda a comunidade. A feira ainda reformulou seu site e seu aplicativo.

As tecnologias em evolução

Dr. Markus Heering, diretor da VDMA, falou das tendências que estarão presentes na drupa e, por consequência na vida dos profissionais de impressão pelos próximos anos. Entre elas, a digitalização. Há poucos anos, ninguém sabia o que era a Indústria 4.0, hoje uma realidade em todas as indústrias - como na de impressão, ligando todos os processos.

O especialista ressaltou pontos que estão chegando na indústria, como a inteligência artificial, a próxima etapa da automação. É o ápice no uso de dados e informações digitais. Seria, em definição, quais decisões as máquinas podem tomar que só humanos poderiam fazer. Na drupa, cita Markus, estarão as primeiras máquinas com esse conceito.

O big data é a base, com um banco de informações que a impressora terá com definições como uso correto da tinta, velocidade e outros pontos, para que ela trabalhe com o mínimo de interferência humana; a máquina, inclusive, faz sua manutenção preditiva, informando antes um problema que pode vir a ocorrer no futuro.

Os clientes estão cada vez mais conectados e se comunicam através da “Internet das Coisas”, ou seja, de todos os pontos e todas as formas. O que entra então é o web-to-print, que cresce muito e é uma estratégia de mercado agressiva para diferentes segmentos. Isto traz uma nova velocidade à indústria e é uma possiblidade que todos os empresários devem ficar de olho.

Heering fez uma grande explanação sobre a economia circular, tanto sobre os materiais usados na impressão (papel, filme, tinta) e o que fazemos com os equipamentos (peças) em si no final de ciclo. A indústria precisa estar atenta e trabalhar para garantir que a economia circular de fato ocorra, com todos tendo seu papel no processo.

Trata-se, assim, de um grande desafio para a indústria de impressão, embalagem, plástico e outras. E apenas todos juntos será possível superar os obstáculos e avançar na economia circular, com uma política de reciclagem, reuso de materiais e a constante busca de novas soluções para diminuição de desperdício. O evento foi finalizado com o sorteio de uma passagem aérea à drupa 2020, oferecida pela Heidelberg.